O processo de socialização

       O objetivo desta discussão é o reconhecimento da importância dos grupos sociais para o processo de socialização dos indivíduos. É por meio das relações sociais que os indivíduos se humanizam, compartilhando elementos da cultura.

          

      Entre os primeiros homens, a organização da vida em grupos respondeu às necessidades mais imediatas como, alimentação, proteção e reprodução da espécie. À medida que as sociedades humanas se tornaram mais complexas, mais diversificadas se tornaram as necessidades dos homens e, por conseguinte, as funções e formas de organização que os grupos assumiram para a vida deles.

Os primeiros homens e mulheres já viviam em grupos, pois dessa maneira poderiam se proteger mais facilmente de animais selvagens e garantir a alimentação do grupo e a sobrevivência dos filhos.

A relação indivíduo-sociedade é tema central de inúmeros estudos no campo das Ciências Sociais. Destacamos aqui o sistema de pensamento apresentado por Norbert Elias que rompe com antigos paradigmas como, os que opunham sociedade ao indivíduo singular. Resgatando a importância das relações de interdependência entre os indivíduos, estabelece um vínculo inseparável entre aqueles dois conceitos. Para ele, o indivíduo não pode ser concebido isoladamente, mas, apenas, em suas relações com os outros. Da mesma forma a sociedade também não pode ser concebida independente dos indivíduos ou como simples agrupamento destes, mas das relações entre os indivíduos singulares, da “conexão de funções que os seres humanos tem uns para com os outros”.

Elias observa ainda a importância que a sociedade desempenha para o processo de formação do indivíduo, tal como o concebemos hoje. Inserido nas mais diversas configurações sociais desde o seu nascimento, o ser humano se modela e individualiza por meio das inter-relações estabelecidas no interior destas configurações, desenvolvendo uma estrutura de personalidade que o torna apto para viver em sociedade – o que o estudioso designa por habitus social.

Neste sentido, um indivíduo pode pertencer a diferentes níveis de integração social, como membro, por exemplo, de uma família, de uma escola, de um partido político, de um grupo recreativo ou religioso, de uma cidade, um país. Cada uma dessas redes de sociabilidade o influenciam profundamente. (ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Lisboa: Dom Quixote, 1993.)

Você conhece os personagens das imagens a seguir?  E suas histórias?  O que elas têm em comum?

    

Tarzan é um menino que, após a morte de seus pais, foi criado por macacos em uma floresta. Ao conviver com esses animais, longe dos grupos humanos, Tarzan aprendeu a se comportar como eles: passou a se locomover e a se alimentar como os macacos.

Mogli é uma criança que foi criada por lobos na selva. Na convivência com os animais, também aprendeu a se comportar como eles.

Na sua opinião, porque Tarzan e Mogli apresentam comportamento parecido com o dos animais por que foram criados?

Há diversos casos de seres humanos criados em ambiente selvagem, como o “menino selvagem” Victor de Aveyron, na França, e as meninas-lobo Amala e Kamala, na Índia. Privadas do convívio com os seres de sua espécie e, consequentemente, do processo de educação social humana, as crianças não desenvolveram a linguagem e eram incapazes de permanecerem eretas. A forma de se alimentar e de se locomover eram semelhantes aos dos animais selvagens. Tais casos remetem a uma questão sociológica importante: a necessidade dos grupos sociais para o processo de humanização.

As histórias de Tarzan e Mogli representam, de forma lúdica, a ausência deste processo e apresentam aspectos discrepantes nas histórias, como o desenvolvimento da linguagem, das emoções humanas e o caminhar ereto.   O personagem Tarzan é uma criação do romance de Edgar Rice Burroughs. A adaptação para o cinema foi feita em diversas filmografias, sendo a primeira ainda na época do cinema mudo, em 1918. O filme Mogli é baseado no clássico do mesmo nome, de Rudyard Kipling.

Uma indicação filmográfica interessante  é “O Garoto Selvagem” (“L’Enfant Sauvage”, Direção: François Truffaut.  França, 1970). A história é baseada no caso do menino selvagem Victor de Aveyron.

http://www.youtube.com/watch?v=r0_uC-cX50w

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